quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Análise reflexiva

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ESPEAD
TÓPICOS III
PROFESSORA: Cintia Inês Boll
ALUNA: Celi Lutz Lindenmeyer, Elisabete Bisutti Ceron e Sheila Hahn Camara
DATA: 10-11-2008
ATIVIDADE: Análise-reflexiva “Redes cotidianas de conhecimentos e valores nas relações com a tecnologia”
Redes Cotidianas de Conhecimentos e Valores nas Relações com a Tecnologia
Lendo o texto Redes Cotidianas de Conhecimentos e Valores nas Relações com a Tecnologia, de Nilda Alves, chama a atenção a naturalidade com que certas ações são praticadas, evidenciando a pouca ou mesmo a ausência de reflexão por parte dos atores. É o caso, por exemplo, da imagem de uma sala de aula da África, que apresenta alunos sentados, um atrás do outro, enfileirados, sem que tivessem uma cadeira e/ou uma classe. Quem detém o poder dita as normas e se não houver quem questione, permanece tudo igual.
Conforme o texto traz, é muito forte a presença da metáfora da árvore na nossa sociedade, podendo ser identificada desde dentro da escola até na organização de partidos políticos. Muitas vezes não é reconhecido que o conhecimento é produzido em redes, que o seu tempo de produção é o da longa duração e que o seu espaço é o local, que são os contextos cotidianos, ampliados pelo advento da globalização, da internet. Entendimentos que permitem compreender o ritmo das mudanças ou não no viver cotidiano.
O que se verifica nas escolas é que, embora tenham os laboratórios de informática, acesso à internet, ainda há professores que nem ao menos acompanham os seus alunos à aula de informática, deixando-os aos cuidados do professor de informática que tem os conhecimentos técnicos, porém falta-lhe, na maioria das vezes, o conhecimento didático-pedagógico.
Falar em construção de conhecimento a partir de trocas, onde todos tem vez e voz, é falar em construção a partir da metáfora da rede. Todos podem dispor do tempo e do espaço que necessitam e tem garantidos a escuta.
Percebe-se que a EAD é um ensino muito mais democrático. Os espaços de discussão, a exemplo dos fóruns, são muito mais democráticos, justamente pelo tempo que o aluno tem a sua disposição. Apesar de haver a preocupação com prazos para postagens, há um respeito muito maior pelas diferenças individuais dos alunos do que numa sala de aula convencional.
O professor e o tutor não se vêem como os detentores do saber, muito mais questionam, do que respondem às dúvidas e ansiedades do aluno, estabelecendo o diálogo, a troca, a construção do conhecimento.
Também as disciplinas, no EAD, apresentam características diferentes, são interdisciplinares e vão sendo desenvolvidas levando em consideração a realidade do grupo, as suas limitações, as suas possibilidades, preservando, no entanto, a qualidade do curso.
Outro fator que merece registro é o valor que se atribui à prática, neste curso, assumindo a unidade práticateoriaprática.
Principalmente no início, percebia-se que mesmo que todos nós, alunos, tutores, alguns professores, inclusive, soubéssemos que o curso é a distância, sentíamos claramente uma maior necessidade das aulas presenciais. Também com relação aos meios de comunicação, foi necessário fazer uma adequação. Usávamos, inicialmente, com bem maior freqüência do que agora, as reuniões presenciais para planejar, avaliar. Hoje, com naturalidade, valemo-nos do e-mail, das listas de discussão, do MSN, dos fóruns, entre outros.
Em suma, o trabalho como tutor constitui-se numa oportunidade de compartilhar reflexões, formando-se uma rede de colaboração, de trocas de idéias, de saberes construídos através das práticas diárias. Tem -se a compreensão do grande desafio e da responsabilidade da ação tutorial com a melhoria da qualidade da prática e teoria dos educandos.

Análise

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

ESPECIALIZAÇÃO TUTORIA EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Analissa Scherer Peixoto
Celi Lutz Lindenmeyer
Elisabete Bisuti Ceron
Maria del Carmen Maitia
Melissa Meier
Rossana Strunz Coelho dos Santos
Sheila Hahn Camara
Simone Bicca Charczuk
Simone Rocha

Análise da função do tutor
A construção desta análise baseou-se na interação das idéias do capítulo 2 do Manual do Tutor do PEAD e as discussões do artigo intitulado "Tecendo a Rede, Mas com que Paradigma?” apresentadas pela autora Maria Candida Moraes.
Compreendemos que o princípio norteador do curso PEAD - Licenciatura em Pedagogia é a criação e sustentação de uma educação interativa, crítica, responsável, dinâmica nos processos sociais e nas redes de relações. Fazendo uma analogia com o artigo de Maria Candida Moraes onde é citado que o universo informático favorece tanto a racionalidade como também a expressão da sensibilidade, da criatividade e a formação de novos valores que facilitam o desenvolvimento da imaginação, diferentes diálogos do pensamento com o contexto e a abertura ao novo sob o enfoque humanista, o PEAD está utilizando métodos e técnicas que levam em conta as necessidades reais dos alunos permitindo que o conhecimento possa ser construído tanto de modo individual como, principalmente, coletivo.
O Projeto Político Pedagógico do Curso se organiza em função de três pressupostos básicos: A relação entre prática pedagógica e pesquisa, autonomia relativa da organização curricular e articulação dos componentes curriculares que nos remeteu à leitura do artigo sobre o novo cenário mundial, novas metodologias para aprender a aprender, aprender a ser e a viver/conviver, pois as tecnologias da informação e da comunicação, baseadas nestes pressupostos básicos, estão a serviço da inteligência humana indo além de uma simples ferramenta pedagógica para o desenvolvimento de atividades que facilitem o desenvolvimento da autonomia, da solidariedade, da criatividade, da cooperação e da parceria, permitindo a criação de ambientes virtuais, associados aos processos de construção do conhecimento. “São ambientes ou mundos virtuais que podem colaborar, como bem assinala Lévy (1994), para transformação do funcionamento social, para a ativação dos processos cognitivos e para construção de novas representações do mundo” (MORAES, 2000, p. 4). Exemplos concretos realizados no PEAD: Criação dos portfólios de aprendizagens, blogs, wikis; quantidade significativa de professores, tutores de sede e pólo; atividades interativas que propiciam a articulação entre teoria X prática e atividades, leituras, aulas presenciais que levam o aluno a pensar e que vão ao encontro com os objetivos do curso tanto geral como específicos, como por exemplo, “Preparar o professor para a reflexão teórica (meta-reflexão) permanente e a recriação das práticas escolares ao ampliar o conhecimento e o pensamento sobre o fazer pedagógico”(Guia do tutor, 2006, p. 20).
De acordo com a discussão no artigo sobre a construção de uma prática pedagógica mais adequada à evolução do mundo e da vida onde prevalece o pensamento sistêmico. Tal pensamento "... dá maior ênfase ao que é contextual, local e datado, aberto, configurado por determinadas circunstâncias, sabendo antecipadamente que ele nunca constituirá um pensamento completo, por maior que seja o número de conexões que possam vir a ser estabelecidas pela compreensão humana. Isto porque sabemos de antemão que a mente humana não é capaz de captar a realidade em sua totalidade e que sempre existirá a incerteza, o aleatório e o acaso atuando sobre ela. Assim, o pensamento eco-sistêmico deverá possuir uma estrutura sempre aberta, em permanente processo de construção e reconstrução” (MORAES, 2000, p. 8). A proposta metodológica e a organização didático-pedagógica do PEAD está possibilitando a construção do conhecimento, pois prioriza a interação dos professores de diferentes áreas de conhecimento através das interdisciplinas (tema amplo), seminários integradores (articulação: apresentação e fechamento das atividades integradoras e tecnológicas), enfoques temáticos (temas específicos). De acordo com Morais (2000), estas são “relações, conexões, enlaces, vínculos que permitem a interatividade e a interdependência entre o sistema e o meio. É essa conectividade, esse enredamento que existe entre objetos, eventos, fenômenos e processos que vem promovendo o reconhecimento de que o mundo vivo é uma rede de relações ou de conexões dinâmicas. Para Capra (1997), o padrão da vida é um padrão em rede e “olhar para vida significa olhar para redes”, como também nos adverte Maturana (1995)” (p. 7).
As tecnologias digitais vêm inovando formas de acesso à informação, dinâmicas no processo de construção de conhecimento e novos estilos de pensar. O curso PEAD desenvolve várias estratégias de apoio à aprendizagem, tendo atenção constante e individualizada, buscando esclarecer dúvidas, não somente, ao uso das tecnologias, mas de todo o processo de aprendizagem, como por exemplo, interações entre os professores, tutores e alunos através de fóruns de debate, e-mails, programas como o Breeze, lista de discussão, webfólios, trabalho nos pólos (desenvolver autonomia, estudos, pesquisas, etc...), momentos presenciais, oficinas tecnológicas e também o aluno-professor do curso terá estágio supervisionado para integrar os conhecimentos teóricos desenvolvidos no curso x prática. “Por exemplo, um dos parâmetros fundamentais que todo sistema possui é o seu Ambiente, aquele algo maior que o envolve, que tanto pode ser um envoltório material qualquer, como também um campo energético onde as interações e as relações ocorrem. Para Maturana (1995), ambiente é o espaço onde o ser vivo se realiza como entidade autopoiética. É o espaço relacional entre o sistema e o meio, o local onde ocorrem as trocas energéticas, materiais e informacionais nos mais diferentes níveis” (MORAES, 2000, p. 6-7).
Para cumprir com a base da metodologia interativa e problematizadora do PEAD foi desenvolvido um sistema de orientação que envolve professores e tutores de sede e de pólo que têm diferentes funções pedagógicas, sociais e organizativas. Em geral a função do tutor no pólo é proporcionar motivação, esclarecer dúvidas, ter diálogo, orientar e também desenvolver orientação coletiva em atividades presenciais estabelecendo vínculos individualmente. E o tutor de sede tem formação geral ou específica nas interdisciplinas, ele deve facilitar o acompanhamento dos alunos aos enfoques temáticos e às atividades relacionadas. “Somente assim será possível utilizar as novas tecnologias para construirmos redes de conexões não apenas preocupadas em favorecer o acesso à internet às populações carentes e marginalizadas, mas que, além disto, estejam simultaneamente voltadas para o desenvolvimento de uma inteligência coletiva, para o exercício de uma cidadania planetária fraterna e solidária e para a construção da paz associada ao desenvolvimento de talentos para a ciência, a beleza, a solidariedade e harmonia, como pretende Fagundes (1999)”. (MORAIS, 2000, p. 11).
No que se refere às funções específicas dos tutores de pólo, estas podem ser definidas como o acompanhamento presencial dos alunos, o incentivo à organização de grupos de trabalho, auxiliar na utilização dos recursos tecnológicos e fortalecer o vínculo dos alunos com o curso. Além disso, o tutor do pólo está em contato direto com os tutores da sede e com os professores das diversas interdisciplinas para acompanhar o andamento do curso e poder orientar os alunos. Já o tutor de sede auxilia diretamente o professor responsável pela interdisciplina debatendo sobre as atividades previstas e acompanhando os alunos na realização das mesmas. A partir do texto de Moraes (2000), podemos pensar que professores e tutores (de pólo e de sede) formam um sistema complexo responsável pelo acompanhamento dos alunos no processo de aprendizagem e, nesse sentido, podemos vislumbrar um espaço de docência compartilhado, no qual todos os participantes dessa equipe interdisciplinar cooperam visando a promoção de espaços nos quais os alunos possam construir conhecimentos.
Com o auxílio da leitura do artigo, do manual do tutor e da nossa experiência como tutores concluímos que estamos alcançando um nível de interação e que as intervenções feitas (professor x tutor x aluno) estão evoluindo e cumprindo com os objetivos do curso, quais sejam, a construção do processo de aprendizagem, a formação de pessoas que criem culturas de rede, indo além de um simples curso a distância. Não estamos desenvolvendo a concepção empirista da educação que fortalece o pensamento positivista, prioriza a função informativa do computador e instrucionista da educação, mas o PEAD está desenvolvendo “o pensamento educacional eco-sistêmico [que] nos incita, portanto, a criar novas metodologias que reconheçam a existência de uma natureza viva transdisciplinar nos processos de construção do conhecimento (Baserab Nicolescu, 1999), diferentes das metodologias decorrentes das ciências moderna e antiga. Uma metodologia que seja capaz de mediar os diferentes diálogos entre as diversas áreas do conhecimento e que, ao mesmo tempo, compreenda a co-evolução do ser humano em sintonia com o universo” (MORAES, 2000, p. 10).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CARVALHO, M. S.; NEVADO, R. A .; BORDAS, M. C. Guia do Tutor. Porto Alegre: Gráfica da UFRGS, 2006.

MORAES, M. C. Tecendo a rede, mas com que paradigma? Encontro Internacional de Educação para a Paz. Universidade de Genebra, setembro de 2000.

Fichamento

Nome: Sheila Hahn Camara
Fichamento sobre o texto:
“A Importância Da Ação Tutorial Na Educação A Distância: Discussão das Competências Necessárias ao Tutor ”.
Eloiza da Silva Gomes de Oliveira
Alessandra Cardoso Soares Dias
Aline Campos da Rocha Ferreira

A Educação a distância tem a relação triádica como em todo o processo de ensino-aprendizagem . Ou seja, o triângulo didático que é formado pelo aluno, outro pelo professor/tutor e o terceiro pelo objeto do conhecimento. Assim surge a necessidade de criar estratégias diferentes da relação ensino-aprendizagem presencial, mas que também tornem favorável a análise, a problematização e a reflexão. Na Educação a distância existem várias denominações para o tutor: assistente, assessor, mediador, facilitador,etc. Porém os procedimentos, estratégias e competências são comuns.
Para o filósofo e sociólogo Tardiff, o professor tem saberes de variadas áreas do conhecimento (plural); está sempre construindo novos conhecimentos (estratégico) e a sociedade não o reconhece como produtores de saber (desvalorizado).
A proposta de saberes específicos norteadora para a tutoria em educação a distância do tutor deve ser baseada na criação e sustentação de uma educação interativa, crítica, responsável, dinâmica nos processos sociais e nas redes de relações. Segundo Tardiff, o tutor necessita de quatro categorias de saberes: Saberes da formação profissional; Saberes disciplinares “ Letramento tecnológico”; Saberes Curriculares e Saberes Experienciais. Na página 22 do texto, Tardiff (op. cit., p. 36-40) apresenta os saberes docentes, como os compreende: “Saberes da formação profissional – transmitidos pelas instituições de formação de professores, pertencentes às Ciências da Educação e à ideologia pedagógica. Saberes disciplinares – pertencentes às variadas áreas do conhecimento. Saberes curriculares – correspondentes aos discursos, objetivos, conteúdos e métodos constantes dos programas escolares, e que o professor precisa saber aplicar. Saberes experienciais – desenvolvidos pelos professores na sua própria prática, no exercício das suas funções. Segundo o autor, vão sendo incorporados à experiência individual e coletiva através do habitus e das habilidades (do “saber - fazer” e do “saber – ser”). ”
O papel do tutor é muito importante no processo de aprendizagem realizado a distância além de qualidades como ter clara concepção de aprendizagem; facilitar a construção do conhecimento; etc. precisa acompanhar , avaliar , mediar e estabelecer redes de comunicação e informação, entre outras atividades. Na página 26 do texto, é falado sobre três dimensões dos saberes docentes, apresentadas por Belloni (op.cit.,p.81): Pedagógica, Tecnológica e Didática, também na página 27, mostra sete dimensões da atuação do tutor: Professor; Pesquisador; Tutor; Monitor; Recurso Didático; Tecnólogo Educacional e Formador. E partindo das três dimensões de Belloni e dos saberes experienciais de Tardiff foi acrescentado uma quarta dimensão: “saberes pessoais”.
Destaco algumas dimensões do quadro (páginas 27 e 28) das competências tutoriais que na minha concepção são mais importantes: Pedagógica : “ Utilização de estratégias de orientação, acompanhamento e avaliação (somativa e formativa) da aprendizagem dos alunos, identificando as dificuldades surgidas e tentando corrigi-las”; Tecnológica: “ Domínio das ferramentas tecnológicas empregadas (“letramento tecnológico”)”; Didática: “Utilização de estratégias didáticas adequadas às diferenças culturais, para dinamizar discussões animadas e produtivas, para a proposição de tarefas e o esclarecimento de dúvidas.” ; Pessoal: “ Disposição para estimular a autonomia e a emancipação do aluno, delegando-lhe o controle da própria aprendizagem.”
Nesta perspectiva é necessário planejar e organizar a informação; motivar para iniciar e manter o interesse por aprender; ser claro quanto aos objetivos que se pretende alcançar; apresentar comentários significativos e funcionais para o aluno;solicitar a participação dos estudantes; ativar as respostas fomentando uma aprendizagem ativa e interativa, incentivar a auto-aprendizagem, potencializar o trabalho colaborativo, facilitar a retroalimentação, reforçar a auto-estima e respeitar a diversidade do grupo, promover a transferabilidade da aprendizagem e acompanhar o progresso do aluno.
Para finalizar sobre a ação tutorial na educação a distância é necessário constante atualização de estudos no sentido de aperfeiçoamento e adequação de elaboração de estratégias de trabalho para incentivar, apoiar e manter os alunos ligados ao curso.
Mas, quais seriam as estratégias para ajudar no desenvolvimento das dimensões das competências tutoriais “pessoal”na prática do tutor?